sexta-feira, 18 de abril de 2008

João Sousa diz adeus ao Jamor pela porta grande


O sonho de João Sousa terminou esta manhã no Court Central do Estoril Open. O jovem vimaranense retomou o confronto frente a Frederico Gil, que tinha sido interrompido de véspera devido à chuva, mas acabou por não conseguir entrar da melhor forma no encontro, cedendo ao final de dois parciais de 6-7(5) e 6-2.
No final da contenda, o atleta de 19 anos não escondia a desolação pelo facto de não ter tido oportunidade de concluir o encontro no dia em que estava previsto. “Não digo que fosse ganhar, mas tenho quase a certeza que se ontem tivéssemos continuado a jogar, e mesmo depois de ter perdido o primeiro set no tie-break, conseguiria actuar ao mesmo nível que vinha apresentando até essa altura. O que aconteceu foi que não me consegui nunca adaptar às condições de jogo, não estive minimamente concentrado e isso fez toda a diferença”, explicou Sousa.
Numa análise geral ao encontro, o tenista radicado em Barcelona há cerca de três anos e meio, destacou o primeiro set, no qual esteve “sempre a atacar e em alguns momentos por cima no encontro”. A discussão do parcial no tie-break, no entanto, acabou por surgir “com alguma falta de sorte e que deixou uma certa frustração”. Como se isso não bastasse, o facto de poder vir a defrontar o número um mundial Roger Federer, caso vencesse o encontro, também andou a povoar os pensamentos de João Sousa: “fui para o hotel a pensar que no dia a seguir conseguiria jogar ao mesmo nível e confesso que pensei na hipótese de jogar com o Federer, mas não muito. Infelizmente acabei foi por não me adaptar ao vento e joguei muito mal”.
Com um salto esperado para a casa dos 560 primeiros classificados do ranking ATP – esta semana ocupa o 744º posto – João Sousa aproveitou a ocasião para informar que irá regressar à sua “vida normal”. “Vou voltar a jogar torneios Futures, só ainda não sei se na Roménia ou em Espanha, e depois talvez uns Challenger”. Já no dia em que havia somado a vitória na primeira ronda Sousa tinha lembrado que a partir de agora poderá evitar os “sempre complicados qualifyings Futures em Espanha, onde o nível de jogo é bastante elevado”.
Já o que João Sousa garantiu, é que o seu dia-a-dia em Barcelona não irá mudar. O mesmo motociclo já bem rodado vai continuar a ser o meio de transporte até à estação de comboio de onde parte para as aulas do 12º ano. “Mesmo tendo ganho cerca de seis mil euros, vou continuar com a mesma mota”.
Antes da despedida definitiva do Estoril Open 2008, o público voltou igualmente a merecer uma palavra de apreço por parte de João Sousa, que prometeu voltar nos próximos anos: “tenho que agradecer ao público por ter sido tão fantástico comigo. Não sei se foi por gostarem do meu estilo de jogo ou por outra razão, mas o que é certo é que o apoio que me deram foi fundamental para ter chegado onde cheguei. Só tenho pena de ter acabado a jogar tão mal e com pouca atitude, mas há que recolher o positivo da minha passagem por aqui e seguir em frente
Depois de treinar com o número um suíço e da participação, ainda assim, conseguida no Estoril Open não está afastada a possibilidade de ser chamado à Taça Davis, cenário que João Sousa não escondeu ser do seu agrado. «Quem decide é o Pedro Cordeiro, depende do momento de forma, mas claro que gostaria de representar Portugal
João Sousa vai receber no domingo, último dia do Estoril Open, o Prémio Revelação do Torneio.

em: estorilopen.net

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